domingo, 7 de dezembro de 2008

Émile Durkheim
O Problema
Introdução
Resumo
A divisão do trabalho que iniciou-se não faz pouco tempo, mas foi somente no final do séc. XIX que as sociedades tomaram consciência deste fato que até viviam sem saber. O primeiro a teorizar a respeito foi Adam Smith.
Hoje em dia está claro as tendências da indústria moderna, ela está em direção aos mecanismos poderosos, dos grandes agrupamentos de forças e capitais e consequentemente da extrema divisão de trabalho.
A divisão do trabalho não está restrita ao mundo econômico, ela exerceu influência em diferentes regiões da sociedade - as funções políticas, administrativas e judiciárias estão se especializando cada vez mais, assim como as funções artísticas e científicas. A filosofia não é mais uma ciência única, ela se fragmentou em várias displinas especializadas, cada uma com seu método, objeto e espírito. O cientista já não cultiva, simultaneamente, ciências diferentes e também não abraça o conjunto de uma ciência inteira. As suas pesquisas se restringem a uma ordem determinada de problemas, ou a um problema único.
Especulações da filosofia biológica mostraram que a divisão do trabalho se aplica tanto aos organismos como às sociedades. Afirmaram que um organismo ocupa uma posição tanto mais elevada na escala animal quanto mais as suas fiunções forem especializadas. Esta descoberta causou, ao mesmo tempo, um aumento do campo de ação da divisão do trabalho e um recuo de suas origens a um passado remoto se tornando quase contemporâneo do advento da vida no mundo.
Coloca-se então um problema prático, a divisão do trabalho ao mesmo tempo que lei da natureza, também é uma regra geral de conduta humana? A divisão do trabalho está se tornando uma regra de conduta, como se fosse um dever; quem não a cumpre não é premiado com pena fixada em lei, mas é muito criticado. Foi-se o tempo em que o homem considerado como perfeito era aquele que se interessava por tudo, sem se dedicar exclusivamente apenas a uma coisa, capaz de compreender e provar tudo; hoje esta "qualidade" nos parece fraca. A visão atual de um homem perfeito é aquele que busca não ser completo, mas produzir, que tenha uma tarefa delimitada e que a ela se dedique. Não achamos mais que o dever exclusivo do homem é realizar em si as qualidades do homem em geral, mas acreditamos que ele é obrigado a ter sua função; um reflexo desta opinião está no objetivo que temos atribuído à escola, ou seja, não achamos necessário submeter todas as crianças a uma mesma educação, como se fossem levar vidas iguais, mas acreditamos que é preciso formá-las de um modo diferente, visando as diferentes funções que elas irão desempenhar.
Existe uma contradição em relação a estes fatos, ao mesmo tempo que a opinião pública manda os homens se especializarem, parece temer que se especializem demais. Existem algumas falas que alertam para os perigos do trabalho inensivo: "À medida que o princípio da divisão do trabalho recebe uma aplicação mais completa, a arte progride, o artesão retrocede." Tocquerville.

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